A VIAGEM
Decidi minha partida num instalo. Assim mesmo, de supetao, para nao dar margem ao medo e a insegurança. Ha tempos tenho conversado com uma pessoa que muito prezo, o Dinho. Mais de um ano, pra ser mais especifico. Jah estava na hora de conhece-lo em persona. Como na vida de qualquer habitante da cidade, tempo eh um luxo. As vezes tao raro que eh preciso muita sabedoria para administra-lo. Sendo assim, tudo o que tinha eram algumas horas para uma viagem a outro estado. Oito horas de percurso. Infindaveis oito horas. No caminho, vaquinhas, montanhas, cabras e outras caracteristicas da paisagem rural deixavam sampa cada vez mais longe. O onibus saiu da plataforma 37 do terminal Tiete pontualmente as 12:15. Estava acompanhado de minha irma mais velha, eterna e querida companheira, que durante todo o tempo segurou minha mao na tentativa de minimizar minha tensao. Afinal, aquela nao era uma simples viagem. Era minha primeira viagem sozinho. A cada cidade que cruzava, meu coraçao passava a pulsar num outro ritmo. Voces, queridos amigos, que acompanham meus relatos, bem sabem que muita coisa aconteceu desde que fundei o blog e que despertei os mais diversos tipos de sentimentos pelos que aqui passaram. Amizade, raiva, desperezo, amor incondicional. De tudo experimentei. Por vezes me achava insensivel por nao tomar atitudes diante do que me era ofertado pela vida. Era vencido pelo receio de sofrer, de tentar e nao conseguir. Enfim, um pamonha. Nao eh a toa que meu apelido eh scoobi. Aos poucos, fui aprendendo a ceder e a confiar. Abrir meu coraçao e permitir que as pessoas entrassem. Liçoes que jamais esquecerei.
Cheguei em Divinopolis por volta das 20:30 hrs. Desci e encontrei uma rodoviaria praticamente vazia, com poucos carros estacionados. Meu celular começou a falhar e tive de comprar um cartao para localizar o Dinho. Nesse momento, minhas maos estavam geladas. Nessas horas todo tipo de duvida vem a mente. Mesmo sabendo que somos amigos incondicionais, pinta aquele frio na barriga, fruto de insegurança e pavor a rejeiçao. Para minha grata surpresa, isso nao aconteceu. Num abraço magico, cumprimentei um companheiro de longa data, que parecia conhecer Ha seculos e seculos.
Meu retorno foi programado para o domingo a noite. Desta forma, tratei de aproveitar ao maximo a otima companhia e conhecer tudo o que tinha direito. Os points da cidade, a estaçao de TV local, bares, shoppings, baladinhas. Enfim, praticamente nao dormi, algo que nem me fez falta.
De tudo, observei um aspecto interessantissimo nesse passeio. O choque cultural em que somos imersos em situaçoes deste tipo eh impressionante. Todo o tempo me comparava a um passarinho que acabara de quebrar a casca do ovo. As diferenças linguisticas, as construçoes, os habitos, definitivamente um mundo novo.
Numa maratona extremamente divertida passamos por varias cidades vizinhas a Divinopolis. Nao lembro o nome de todas, mas cada qual com seu charme e encanto, que trazem recordaçoes especiais. No caminho entre uma e outra, conversamos bastante. Rimos e, de certa forma, choramos com tudo o que aconteceu. Afinal, eh uma historia de muitos desencontros e desentendimentos, que tornavam nosso papo ali, cara a cara, algo surreal.
Seria muito singelo ao classificar o fim de semana como agradavel, supimpa, bacana, massa, fora do comum. A verdade eh que nao tenho palavras para explicar o que senti.
Quem ai jah assistiu "Antes do por do sol"? Eh uma belissima pelicula sobre um casal que se conhece num momento inoportuno, pois em questao de horas, suas vidas tomarao rumos diferentes e tem ateh o fim do dia para aproveitar a companhia um do outro. Lembrei muito desse filme enquanto estava lah.
A recepçao calorosa, as pessoas que conheci, prestei muita atençao em tudo e todos para nao ser traido pela memoria e pensar que tudo nao passara de um mero devaneio.
Quanto ao Dinho, o que dizer? Ele eh o cara! O mais fofo, educado, brinhcalhao, carinhoso e dedicado do mundo. Soh confirmei minhas expectativas, uma pessoa apaixonante, que me fez sentir especial, diferente. Nem se eu dissesse obrigado um milhao de vezes pagaria tudo o que fez por mim. Como estavamos em meio a muitas pessoas, ficava me controlando para que meu olhar nao denuciasse o que esse rapaz significa.
E foi assim que escapei de Sampa por algumas horas. Na hora de voltar, um vazio no coraçao. Ficamos sem trocar palavras frente ao onibus com destino a capital paulista. O silencio soh foi quebrado por uma linda cançao de despedida que apertou meu coraçao de uma forma absurda (sim, ele canta). Nao senti as oito horas de volta. Estava anestesiado, muito feliz.
Ao descer do onibus e partir rumo ao metro, dei-me conta de que estava de volta e que tudo começaria outra vez.
No trabalho, tudo certo, por enquanto.
Na ultima sexta-feira, o diretor geral de jornalismo do canal me chamou para um bate-papo em sua sala. Foi uma conversa muito bacana. Ele me deu muitas dicas do que precisava corrigir e, em contrapartida, cobrei ferramentas para que pudesse faze-lo. Ele me ouviu, eu o ouvi. Um elo ateh entao intransponivel foi quebrado e agora sinto-me mais a vontade para tomar certas decisoes.
Por lah tenho feito muitas amizades preciosas. Pessoas com as quais quero manter contato mesmo se vier a deixar a emissora, o que certamente vai acontecer algum dia.
Outro dia falei com o Panda por telefone. Conversamos um pouco e deu pra perceber que ele eh tudo de legal como mostra o blog e o orkut.
A cuca escreve sempre, eh uma fofa. Ganhou um cachorrinho e tah feliz da vida!
Nao tive mais noticias do Marco e do Sergio. Tomara que estejam bem. Outro dia liguei e deixei um recado na secretaria, mas nao houve retorno. Meninos, quando puderem, quero ve-los.
Bom, creio que eh isso, por enquanto
Um grande abraço a todos!
Scoobi
Escrito por SCOOBI DOO às 12h37
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